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Casos clínicos

Embolização de miomas uterinos (terapêutica endovascular)

Paciente de 43 anos com diagnóstico de miomas uterinos, apresentando aumento da intensidade e da freqüência do fluxo menstrual, foi encaminhada pela sua ginecologista ao serviço de radiologia intervencionista para tratamento por embolização uterina.

A Ressonância Magnética inicial (Figura 1), realizada antes da embolização, demonstra um útero aumentado de volume por múltiplos miomas vascularizados, sendo o maior de 6 cm na região do fundo uterino.


Figura 1
– Ressonância Magnética da pelve realizada antes da embolização uterina, demonstrando grande mioma vascularizado (setas).

Foi realizada a embolização uterina (Figura 2) sem intercorrências e a paciente recebeu alta hospitalar no segundo dia de internação usando apenas analgésicos simples.


Figura 2
– Embolização uterina por angiografia digital demonstrando (a) ramos da artéria uterina esquerda antes da embolização; (b) controle pós embolização com a obliteração dos pequenos ramos arteriais uterinos (embolizados); (c) e (d) mesmas características na artéria uterina direita.

A paciente evoluiu com remissão dos sintomas e retornou após 3 meses para exame de controle inicial por Ressonância Magnética (Figura 3) que demonstrou redução da vascularização dos miomas em relação ao exame anterior ao procedimento (Figura 4).

 


Figura 3
– Ressonância magnética de controle 3 meses após a embolização uterina, demonstrando ausência de vascularização do maior mioma (seta) e já com alguma diminuição do volume do mesmo.


Figura 4
– Comparação entre a vascularização do mioma antes da embolização uterina, no plano coronal (a) e no sagital (c); e após embolização uterina também no plano coronal (b) e sagital (d) por Ressonância Magnética.

Miomas uterinos acometem 20 a 30% das mulheres acima de 35 anos¹. São neoplasias do miométrio (parede uterina) que na imensa maioria das vezes são benignas. Geralmente não causam sintomas, mas dependendo de sua localização e tamanho, podem causar sangramento abundante, dor ou efeito de massa.

O tratamento definitivo clássico é por cirurgia (Histerectomia ou Miomectomia). Mas atualmente a Embolização Uterina é uma alternativa bem estabelecida e menos invasiva de tratamento que, quando bem indicada, é considerada o procedimento de primeira linha para esses casos² ³.

 

Referências

1 Fasih N, Shanbhogue AKP, Macdonald DB, Fraser-Hill MA, Papadatos D, Kielar AZ, Doherty GP, Walsh C, McInnes M, Atri M. Leiomyomas beyond the Uterus: Unusual Locations, Rare Manifestations. RadioGraphics 2008;28:1931-1948

2 Pelage JP, Cazejust J, Pluot E, Dref O, Laurent A, Spies JB, Chagnon S, Lacombe P. Uterine Fibroid Vascularization and Clinical Relevance to Uterine Fibroid Embolization. RadioGraphics 2005; 25: S99-S117

3 Ravina JH, Herbreteau D, Ciraru-Vigneron N, et al. Arterial embolisation to treat myomata. Lancet 1995;346:671–672

 

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