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RM no câncer da próstata: o valor da avaliação multiparamétrica
Dr. Adilson Prando

Nos últimos anos a combinação das novas técnicas da RM tem permitido maior aplicação do método no diagnóstico, localização, estadiamento e planejamento pré-cirúrgico, e pré-radioterápico dos pacientes com câncer da próstata.

A avaliação multiparamétrica do estudo por RM da próstata com “coil” endorretal representa na verdade uma combinação de 4 técnicas dotadas de princípios fisiopatológicos e bioquímicos distintos. Estas técnicas são: imagens convencionais, espectroscopia, imagens ponderadas em difusão e estudo dinâmico com contraste.

Atualmente as grandes aplicações da RM da próstata são: detecção do câncer da próstata em pacientes com biópsias negativas e PSA elevado, estadiamento do câncer detectado pela biópsia e na suspeita de recidiva da doença neoplásica pós radioterapia ou pós-prostatectomia radical. O protocolo empregado na investigação varia de acordo com uma dessas indicações. Por exemplo quando realizamos a avaliação multiparamétrica para o estadiamento do câncer da próstata o protocolo é construído com base em dois fatores principais a dosagem do PSA e o escore de Gleason obtido na biópsia. Em pacientes com PSA acima de 10 ou Gleason acima de 6, obtemos uma seqüência com imagens ponderadas em T1 na pelve para a pesquisa de adenomegalias. Se não for este o caso, a investigação limita-se as imagens convencionais ponderadas em T1(avaliação dos feixes neuro-vasculares e hemorragia pós-biópsia) e T2, imagens ponderadas em difusão, espectroscopia e estudo dinâmico com contraste.

Imagens convencionais: Permite a detecção de alterações anatômicas. Nas imagens ponderadas em T2 e devido ao seu baixo teor de água, o câncer aparece com sinal hipointenso (Fig. 1). Todavia outras alterações prostáticas tais como fibrose, infarto, atrofia, e prostatite também aparece de forma similar.

Espectroscopia: Permite obtermos uma avaliação metabólica do tecido prostático. Desta maneira a espectroscopia tem esta grande vantagem em relação às imagens anatômicas fornecidas pela RM convencional. A ferramenta básica para a interpretação da espectroscopia é a curva espectral. Pela análise da curva espectral podemos estimar os níveis dos metabólitos prostáticos. A curva espectral do tecido normal mostra níveis altos de citrato (Ci) e de poliaminas e nível baixo de colina(Co). No tecido canceroso esta relação se inverte. Devido ao maior número de membranas celulares existe aumento da colina e devido à destruição dos ductos uma redução do citrato e da poliamina (Fig. 2).Nas duas situações o metabólito creatina(Cr) permanece constante, permitindo o cálculo da relação entre eles, denominada de relação Co+Cr/Ci.

Imagens ponderadas em Difusão: Serve para detectar o estado do movimento translacional das moléculas da água no interior do tecido. No câncer da próstata as células estão com-pactadas o que acarreta uma restrição da difusão da água em relação à do tecido normal. Como o coeficiente de difusão aparente (CDA) reflete primariamente o coeficiente de difusão da água extra-celular, estes valores tendem a ser menor que os do tecido normal (Fig. 3).

Estudo dinâmico com contraste (perfusão): Permite detectar as alterações que ocorrem no tecido canceroso devido aos processos de neovascularização e angiogênese associado a lesão neoplásica. Ao estudo de perfusão o câncer da próstata tem como característica uma rápida e forte impregnação por contraste seguida também de uma rápida desimpregnação por contraste (“wash-out) (Fig 4).

No Centro Radiológico Campinas (Departamento de Radiologia do Hospital Vera Cruz), utilizamos desde 2004 e de forma rotineira a avaliação multiparamétrica dos pacientes com suspeita ou portadores de câncer da próstata e submetido ao exame de ressonância magnética endorretal com objetivo de detecção e estadiamento da doença, respectivamente. A avaliação multiparamétrica apresenta em nosso serviço uma especificidade de 82% para a detecção do câncer da próstata (Fig. 5).


Dr. Adilson Prando
Radiologista do Centro Radiológico Campinas.
Chefe do Departamento de Radiologia do Hospital Vera Cruz, Campinas.

Fonte: CRC NEWS – Informativo do Centro Radiológico Campinas – ANO I – Nº 1 – JANEIRO/MARÇO 2009

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